Mudbound, Lágrimas Sobre O Mississippi - Hillary Jordan | Resenha

Por - 15:20:00



Mudbound – Lágrimas Sobre O Mississippi

Hillary Jordan
Editora Arqueiro

Um amor proibido, uma traição terrível, uma agressão selvagem. Um romance de força impressionante, que nos faz mergulhar nas
contradições do Mississippi pós-Segunda Guerra Mundial.

Ao descobrir que o marido, Henry, acaba de comprar uma fazenda de algodão no Sul dos Estados Unidos, Laura McAllan, uma típica mulher da cidade, compreende que nunca mais será feliz. Apesar disso, ela se esforça para criar as filhas num lugar inóspito, sob os olhos vigilantes e cruéis de seu sogro.

Enquanto os McAllans lutam para fazer prosperar uma terra infértil, dois bravos e condecorados soldados retornam do front e alteram para sempre a dinâmica não só da fazenda, mas da própria cidade. Jamie, o jovem e sedutor irmão de Henry, faz Laura de repente renascer para a vida, enquanto Ronsel, filho dos arrendatários negros que trabalham para Henry, demonstra uma altivez que não será aceita facilmente pelos brancos da região.

De fato, quando os jovens ex-combatentes se tornam amigos, sua improvável relação desperta sentimentos violentos nos habitantes e uma nova e impiedosa batalha tem início na vida de todos.

Alternando a narrativa entre vários pontos de vista, este premiado romance oferece ao leitor diferentes versões dos acontecimentos. Os personagens, lutando por sentimentos de amor e honra num lugar e época brutais, se veem dentro de uma tragédia de enormes proporções e encontram redenção onde menos esperam.


Esse livro realmente mexeu comigo. Eu soube dele por acaso, quando estava vendo sobre adaptações ao cinema e acabou que ele foi recentemente adaptado e estava concorrendo em algumas categorias do Oscar também. Então esperei ansiosamente, sem saber muito bem o que esperar, porque não tive a oportunidade de assistir ao filme. E devo dizer que a espera foi recompensada e que agora, não sei se consigo assistir ao filme.

Passado na parte sulista dos Estados Unidos, final da Segunda Guerra, temos aqui o casal McAllan que está de mudança para iniciar a sua vida em uma fazenda e realizar o sonho de vida de Henry, um homem absoluto em suas decisões, de moral impecável quando se trata de sua vida e que vive como chefe de sua família. Porem a decisão de subitamente se mudar para o interior não agrada sua esposa, Laura. Ela passou a vida toda na cidade e agora, está com suas filhas pequenas a caminho do campo, para uma vida sem luxo, conforto, cercada de pessoas endurecidas pela vida e principalmente, um lugar que não escode as veias racistas que controlam cada passo das pessoas negras da pequena cidade. 

E em meio a este cenário, temos Ronsel, que está voltado da Europa depois de anos em guerra, cheio de medalhas e condecorações, mas isso não muda o fato de que, de volta ao lar, ele não passa de um homem negro que voltou para casa, mas não é fácil aceitar as ofensas, ter que entrar pelas portas dos fundos dos lugares, quando ele passou tanto tempo longe e sendo apenas um homem, não importante ele ser negro ou não. E então, eis que temos também Jaime, que também estava na guerra, mas voltou um homem completamente destruído pelas lembranças dela e tem em Ronsel um amigo para dividir os horrores do que passou, seu irmão mais velho Hanry para ter apoio e em Laura para que o ajude. 

Até aqui, parecem vários personagens que não se misturam, mas pouco a pouco a trama vai ficando cada vez mais intensa e somos sugados para dentro daquela terra, onde parece que a tristeza e a raiva se cultivam muito mais facilmente do que o algodão e que aos poucos, temos a certeza de que uma terrível tragédia se anuncia e ela não podia ser mais devastadora.

“Mas esse homem, não importa se são branco ou preto, não percebe que não são dono dessa terra. A terra é que é dona deles. A terra suga o sangue e o suor deles, depois suga o suor e o sangue da mulher e dos filhos e, quando acaba sangue e suor, suga o corpo de todo mundo. Até o dia em que gente e terra viram uma coisa só”

Com uma leitura variando entre o ponto de vista de cada personagem, que incluem também os pais de Ronsel, que são os personagens mais sensatos ao meu ver em todo livro, conhecemos um pouco da ambição e pensamentos mais profundos de cada um deles. São capítulos curtos, cheios de emoção, que te prendem até a última linha e que apesar de ser uma leitura excelente, não foi uma leitura fácil. Cheio de ofensas racistas, um crime odioso, traição e muita dor, é um daqueles livros que, quando eu fechei ele, não consegui formular alguma coisa descente para dizer sobre ele.

Em uma terra manchada de sangue inocente, a brutalidade parece criar raízes dentro das pessoas e isso é realmente chocante de se acompanhar. E considerando tudo isso, foi um dos motivos para que eu não deva o filme ainda. Mas sinceramente, nem sinto que preciso, tudo que este livro quis passar, ele deixou claro em auto e bom som e é foi uma das melhores leituras que já fiz.





Outras postagens que você talvez goste

0 comentários

No Instagram @mylivropreferido